Você trabalha na empresa, mas não sabe se deve receber pró-labore, distribuição de lucros ou ambos?
Essa dúvida é comum. Uma decisão inadequada pode aumentar a carga tributária, gerar problemas contábeis e comprometer o caixa.
Embora sejam formas de o sócio receber recursos, pró-labore e distribuição de lucros têm finalidades diferentes.
O que é pró-labore?
O pró-labore é a remuneração paga ao sócio que atua efetivamente na administração ou na operação da empresa.
Por exemplo: em uma empresa com três sócios, aqueles que trabalham na gestão financeira e comercial podem receber pró-labore. Já o sócio que não participa da operação não necessariamente terá essa remuneração.
O pró-labore normalmente está sujeito à contribuição previdenciária e, conforme o valor, ao Imposto de Renda. Por isso, deve ser definido de forma compatível com a função exercida e com a realidade financeira do negócio.
Pró-labore remunera o trabalho.
O que é distribuição de lucros?
A distribuição de lucros representa o retorno do sócio sobre o resultado econômico da empresa, e não uma remuneração pelo trabalho diário.
Quando há lucro devidamente apurado e documentação contábil adequada, o resultado pode ser distribuído aos sócios conforme a participação societária, o contrato social e a legislação aplicável.
Um sócio pode receber lucros mesmo sem trabalhar diretamente na empresa.
No entanto, lucro contábil e dinheiro disponível no banco não são necessariamente a mesma coisa. Antes de distribuir qualquer valor, é preciso considerar:
- Capital de giro;
- Compromissos futuros;
- Impostos, fornecedores e empréstimos;
- Necessidade de manter recursos em caixa;
- Resultado efetivamente apurado.
Distribuição de lucros remunera o resultado.
O sócio pode receber os dois?
Sim. O mesmo sócio pode receber pró-labore pelo trabalho realizado e distribuição de lucros quando houver resultado positivo apurado e condições financeiras para o pagamento.
Em muitas pequenas empresas, uma estrutura adequada pode combinar:
- Pró-labore razoável e compatível com a função exercida;
- Distribuição de lucros somente após a apuração contábil do resultado.
Essa organização pode ser mais eficiente do que estabelecer um pró-labore elevado. Porém, a distribuição de lucros não pode ser usada para disfarçar remuneração pelo trabalho nem ocorrer sem lucro comprovado.
Qual opção paga menos imposto?
Em muitos casos, a distribuição de lucros pode ter tratamento tributário mais favorável do que um pró-labore elevado. Isso não significa que qualquer retirada possa ser classificada como lucro.
A análise deve considerar:
- Regime tributário;
- Faturamento e atividade;
- Despesas e folha de pagamento;
- Remuneração dos sócios;
- Resultado contábil;
- Fluxo de caixa e capital de giro;
- Legislação vigente.
Mudanças recentes na tributação de lucros e dividendos reforçam a importância de avaliar cada caso individualmente.
O caminho mais seguro é estabelecer um pró-labore adequado e distribuir apenas o lucro efetivamente apurado e suportado pela empresa.
O risco de retirar dinheiro sem planejamento
Retirar valores da conta da empresa para pagar despesas pessoais e classificá-los posteriormente como “lucro” pode gerar problemas, especialmente quando não há apuração contábil adequada.
Essa prática pode:
- Misturar as finanças pessoais e empresariais;
- Comprometer o capital de giro;
- Criar inconsistências contábeis;
- Ocultar remuneração pelo trabalho;
- Aumentar o risco de questionamentos fiscais;
- Prejudicar a continuidade do negócio.
A empresa precisa demonstrar a origem e a natureza de cada valor pago aos sócios.
Quanto retirar?
Não existe um valor universal.
O pró-labore deve ser compatível com a atividade exercida e com a realidade financeira da empresa. Já a distribuição de lucros depende da existência de resultado positivo, documentação contábil e disponibilidade financeira.
Antes de retirar dinheiro, verifique:
- A empresa realmente teve lucro?
- O resultado foi corretamente apurado?
- O lucro está disponível ou comprometido com o capital de giro?
- Existem contas e obrigações futuras?
- O pró-labore é compatível com a função?
- A retirada está sendo registrada corretamente?
- A distribuição respeita o contrato social e a legislação?
Afinal, pró-labore ou distribuição de lucros?
Na maioria dos casos, não é necessário escolher apenas um.
Pró-labore é o pagamento pelo trabalho.
Distribuição de lucros é o retorno sobre o resultado do negócio.
Uma política adequada de retiradas combina pró-labore compatível com a função exercida, controle financeiro e distribuição somente do lucro que a empresa realmente apurou e consegue pagar.
Antes de definir os valores, analise os números do negócio, preserve o capital de giro e mantenha a contabilidade em ordem.